quinta-feira, 22 de maio de 2014

Destination Anywhere.

Chegou em casa cansada, havia tido um daqueles dias em que nada dá certo e o mundo parece conspirar contra a gente. Já ia desligar o MP3 quando os acordes da música começaram. Era o que ela precisava.

Manteve os fones nos ouvidos e, sem pensar muito para não perder a coragem, jogou a bolsa no sofá enquanto corria para o quarto. Lá, puxou a mochila detonada da prateleira, substituiu o salto que destruía seus pés pelo All Star batido e desbotado, abriu o roupeiro e começou a jogar as roupas dentro: jeans, blusa, pijama, meias e lingerie. No banheiro, pegou somente os itens indispensáveis que ainda não estavam na necessaire e os jogou na mochila, rezando para não ter deixado o frasco de shampoo mal fechado.

Na sala, tirou a carteira e necessaire da bolsa, atirando-as no outro bolso da mochila enquanto abria a gaveta e resgatava o passaporte nunca usado. Pegou a mochila, apagou as luzes e, enquanto trancava a porta, sorriu, ouvindo as últimas as palavras da canção

"Left or right, I don't care
Maybe we'll just disappear like the sun
Come on, come on, come on"


sábado, 6 de julho de 2013

Sobre Ideias

Existem ideias que ficam rondando a mente. Elas não tem forma, cor, palavras ou sons que as exprimam, mas elas existem, ali, em um canto afastado, esperando o momento para sair. Durante esse período de incubação, eu as odeio.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Prólogo


Elian foi tomado pela adrenalina que antecede a batalha. Quando se transformasse me lobo, esse sentimento seria substituído pela urgência da morte, de sentir na boca os ossos do inimigo se partindo, a carne se rasgando e o sangue, quente e confortador, escorrendo por sua garganta.

Infelizmente, não eram inimigos humanos. A menina, havia muito tempo, os proibira de matar seus semelhantes. Sentia falta, é claro, o homem era sua presa mais saborosa (o olhar, a expressão e o cheiro de medo que exalava ante um predador eram inebriantes), mas não iria desobedecê-la, mais importante: não podia desobedecê-la mesmo que desejasse. Ela era uma parte de sua própria alma, sua raça fora concebida para protegê-la.

Tomado pela ternura, olhou para o atual receptáculo da alma que anulava seu livre arbítrio. Como sempre acontecia em momentos assim, Caterina estava séria, perdida em pensamentos, talvez rezando para o Deus de sua cultura, para seu pai imortal ou seu padrinho guerreiro. Aos lados dela, os irmãos da garota tinham expressões parecidas com a dela, sérios e silenciosos, até que Pietro quebrou o silêncio:

- Estão vindo. Preparem-se para atacar ao meu sinal.

- Elian – ele virou os rosto em direção à Caterina e encontrou seus olhos castanhos, sempre tão doces, inexpressivos – se as coisas não saírem conforme o planejado e eu não voltar, agradeça aos outros lobos pelo serviço prestado e lealdade. E obrigada por estar sempre ao meu lado.

Elian somente sorriu. Era sempre o mesmo discurso e ela sempre voltava. Pietro deu o sinal, Elian se transformou. Correndo atrás de sua senhora pensou que nada mais importava. A batalha contra os lacaios de Cronos começara.

sábado, 3 de novembro de 2012

Em Busca do Santo Graal

Está escrito, em algum lugar, que o amor entre duas pessoas deveria ser tão natural e simples quanto respirar. Um processo que simplesmente é realizado do princípio ao fim por instinto, sem raciocinar.

Mas qual a lógica ou veracidade dessa filosofia se tudo mais na vida só tem valor real quando conquistado com esforço e trabalho? Talvez seja por essa sensação de dever cumprido após a batalha que Hollywood, novelistas, redatores, autores e roteiristas tenham tanto apreço pela história dos parceiros que trabalharam arduamente para concretizar seu amor. Talvez seja o oposto e Hollywood, novelistas, redatores, autores e roteiristas só tenham apreço pelos amores épicos porque as pessoas acreditam que, a não ser que se sacrifiquem até o limite das suas forças, autoestima e amor próprio, o sentimento advindo de outrem não tenha valor real.

Seja como for, a realidade é que, salvo excessões, o sentimento oferecido gratuitamente, sem luta, drama, lágrimas, sangue e suor não é valorizado, transformando a busca pelo verdadeiro amor em uma cruzada digna de comparação com aquelas travadas em busca do Santo Graal, lendário cálice utilizado por Jesus Cristo durante a Santa Ceia.

Entretanto, em suas cruzadas particulares, ninguém parece recordar que, após séculos de guerras sangrentas e explorações no Oriente, o Graal continua afastado dos olhos da humanidade em geral, perdido em alguma cripta a muito esquecida ou mantido trancado no cofre de algum colecionador que não tem o mínimo interesse em dividir o conhecimento que possui com seus semelhantes. Outro ponto importante, menos fantasioso e mais palpável, é que manter um relacionamento duradouro é, por si só, uma cruzada das mais difíceis.

Rotina, tentações e diferenças de gostos, crenças e personalidades apresentadas ao longo da convivência entre duas pessoas são obstáculos a serem superados, se não diariamente, constantemente. E nessa era de tecnologia, individualismo e imediatismo, em que é mais simples substituir a descobrir qual o problema e tentar consertá-lo, ter um relacionamento que dure anos é cada vez mais difícil. O que dizer de um que dure o suficiente para ser comparado com uma vida?! Pode ser equiparado a uma nova cruzada pelo Santo Graal, digna das realizadas durante a Idade Média e relatadas tão amplamente nas lendas.

Se é assim, por que não guardar o ímpeto heróico para a manutenção do relacionamento? Por que não valorizar um sentimento construído, baseado inicialmente em atração e interesse mútuos, que acontece naturalmente e não exige sacrifícios em prol da conquista de alguém que não demonstra sentir o mesmo? O prêmio com o qual o templário que vai empreende-la será contemplado parece mais justo e a jornada, tão árdua quanto a primeira.


domingo, 10 de junho de 2012


Eles assistiam ao show juntos e ela não parecia gostar muito da banda. Estava conversando absorta com a amiga deles e parecia distante aquela noite, não havia feito nenhuma das brincadeiras habituais entre os dois e nenhum dos gestos de carinho que, normalmente, lhe davam confiança.

Ele era tímido, fechado, mas com ela conseguia se abrir um pouco já que não tinha como ficar calado com toda aquela tagarelice e as constantes implicâncias que ela fazia só para vê-lo sorrir e implicar de volta, além disso, ela estava sempre sorrindo, algumas vezes de um jeito doce, outras de uma forma travessa.

Mas não essa noite e, mesmo querendo, ele não sabia como quebrar o gelo. Resolveu arriscar.

- Gosta da banda? - perguntou tocando a mão dela.
- De algumas músicas, mas em especial dessa... - ela respondeu, apertando os dedos dele quando ouviu os acordes da música seguinte soarem.

Ele sentiu a mão dela deslizar e quando olhou para baixo, viu os dedos dela se entralaçando nos seus, de uma forma tão típica dela. Voltou a erguer os olhos e percebeu que ela estava novamente com o rosto virado em direção ao palco, de olhos fechados, cantando os mesmos versos que o vocalista :

"...oh there she goes
same old game that never ends..."

Outro comportamento inesperado. Ficou observando o rosto dela, a entrega tranquila e sentindo a pressão da mão dela contra a sua. Naquele instante parecia que nada mais existia no mundo para ela.

Nos acordes finais, ela abriu aqueles lindos olhos negros, olhou para ele, dando-lhe o sorriso travesso que ele tão bem conhecia, aproximou sua boca da dele, cantando com o vocalista.

"...Finally"

Ela murmurou quando seus lábios se encontraram.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Ela foi para a festa porque havia prometido. Porque não queria deixar a amiga no vácuo. De novo. Mas se sentia sozinha, com o coração despedaçado. Não queria mais sentir. Não queria mais sorrir. Só queria sumir.

Ele estava perto do bar. De cabeça baixa. Pensando, como sempre. Se perguntando, como já era comum. Por que aquilo tinha acontecido, afinal? Ele sofria. De novo. Parecia azar demais para um homem só. Era isso, então. Iria se fechar, decidiu. Por tempo indeterminado. Não. Ainda era pouco. Até a proxima encarnação talvez fosse suficiente.

Chegou na festa com a amiga quebrada. Ela que se esforçava para parecer 'normal'. A amiga pensava no que fazer para ajudar. Tinha o coração apertado por vê-la daquele jeito. Se perdeu dela e foi espera-la no bar. Lá perto, encontrou o amigo partido. Ele se esforçava para esconder a dor. Conversaria com ele enquanto esperava por ela.

Ela viu a amiga parada perto do bar. A amiga conversava com alguém. Ela ficou com remorso pela possibilidade de atrapalhar algo, mas queria ir embora. Não aguentava mais. O dia fora cansativo. Ela estava prestes a se render. A começar a chorar.

Ele escutava a amiga. Pensava em ir embora. Pensava que aquela festa já tinha dado o que tinha pra dar. Ele começava a ficar aborrecido pois a amiga não se deixava enganar. A amiga sabia o que ele sentia e pensava. Ele viu a amiga olhar para a frente e sorrir. Por reflexo, ele olhou na mesma direção.

Os olhos deles se encontraram. Eles sorriram. Se apresentaram. A amiga os conhecia bem demais. Sabia o que aquilo poderia significar. Salvação para ela. Esperança para ele. Resolveu sair de fininho. Não iria longe. Queria ver o que aconteceria.

Eles conversavam. Ela gostou do sorriso doce dele. Ele gostou dos olhos brilhantes dela. Teve empatia. Teve química. Ela ofereceu a oportunidade. Ele aproveitou. Eles se beijaram.

Ela abriu os olhos, olhou nos dele e disse:

- Obrigada.

Ele ficou intrigado. Não esperava ouvir aquilo. Perguntou:

- Pelo quê?

O sorriso dela alargou. Respondeu:

- Por mostrar que ainda existe luz em mim.

Ele sorriu. Entendia o sentimento. Afinal, mesmo que só por uma noite, as trevas dele também foram apagadas.

domingo, 20 de novembro de 2011

Sobre o amor

Infelizmente - para mim - sou uma moça romântica. Daquelas que adora um filme ou livro água com açúcar, ouvir como casais apaixonados se conheceram e busca o amor perfeito. Não me entendam mal. sei que o amor perfeito como exposto na literatura ou dramaturgia-cinematográfica-hollywoodiana não existe, mas, como toda romântica incurável, não consigo deixar de acreditar que todos têm direito a sua história de amor perfeita, mesma que esta um dia venha a acabar.

Entretanto, não é fácil encontrar o amor e muito menos se entregar a ele quando este pode acontecer, somos tão desconfiados e cheios de defesa que por medo deixamos esse sentimento escapar entre os dedos, afinal ninguém quer ser feito de palhaço e muito menos sofrer. As pessoas sempre procuram por amor e felicidade, mas quando podem tê-los, preferem se esquivar e armar as defesas, deixando-os ir embora sem vivê-los.

Por isso, não pude deixar de refletir quando li o texto escrito pela minha amiga Sam e resolvi postá-lo aqui. Espero que gostem.   


"Sabe, hoje depois de 33 anos de vida, me dei conta de uma coisa muito, mas muito importante.
Amor é que nem orgasmo múltiplo, parece até lenda.
Alguns poucos felizardos vão sentir, outros vão passar perto e outros não vão nem sentir o cheiro.
Eu estou cheia de ver pessoas falando eu te amo, mas não demonstrarem com atitudes que sentem isso. 
Bom seria, se o amor de homem/mulher, mulher/mulher, homem/homem, ou seja, aquele amor carnal que as pessoas sentem umas pelas outras, fosse que nem o amor incondicional que temos por nossos filhos, nossos familiares, mesmo aqueles que sejam de coração, e por nossos amigos mais queridos.
Atitudes traduzem o amor 100% das vezes. E sim, podemos falhar, podemos errar, mas não é certo continuar errando, e achar que vamos resolver tudo com um: Desculpa, Eu te amo!
As pessoas não entendem que o amor também morre como tudo na vida... Amor também fica doente, e morre... E não ressucita, nem por tudo que há mais sagrado!!! Pode se transformar, mas jamais ressucita. Pode se transformar em carinho, piedade e até compaixão, mas jamais volta a ser amor.
Aprendi que quando a gente ama, a gente se preocupa em ver o bem daquela pessoa, e se sente mal quando ela está mal, e pior, se sente mal com a iminência de fazer mal àquela pessoa. Amar é altruísta, não é egoísta!
E não me venham com balela de amar a si antes de amar o outro. O que vale é amar a si, e ao próximo como a si mesmo. O que vale é fazer sacrifícios, e acordar todo dia com esperanças, e tendo certeza que mesmo longe, mesmo passando dificuldades, aquela pessoa tá perto de ti no teu coração.
Quando amarem, aproveitem, mas aproveitem mesmo, pois talvez aconteça apenas uma vez, talvez nem aconteça... mas quando acontecer lembrem-se que amar é o orgasmo múltiplo da alma!!! =)"





quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Não sei ser cínica. Não sei esconder o que sinto e fingir o que não sinto. Já tentei e, acredite, não deu certo. Meu coração se partiu, minha alma se feriu. Não foi bonito e as feridas demoraram muito para cicatrizar.

A única coisa que posso fazer a esse respeito é segurar as lágrimas e abrir um sorriso que, caso você preste atenção nos meus olhos, verá que é triste. Infelizmente, esse é o máximo que a sinceridade me permite.

Me chame de tola, mas gosto de ser assim. Sou autêntica desse jeito e se você quer se aproximar, é bom conhecer esse meu "defeito" e saber que cada elogio ou crítica será sincero e reflexo dele.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Como a Aurora Precursora do Farol da Divindade

Essa é a primeira frase do Hino Riograndense, música que a gurizada aprende a cantar ainda no berço. Ontem foi 20 de setembro, dia que marcou o início de uma guerra que perdemos. "Tá, então porque vocês comoraram?" devem perguntar-se brasileiros de outros estados.

Simples, porque o 20 de setembro não representa vitória ou derrota em um guerra por valorização do charque. Povo nenhum pega em armas para lutar por meia dúzia de estancieiros insatisfeitos. O povo pega em armas para lutar por sua casa, por aqueles a quem ama, seus ideais, sua liberdade e seu orgulho.

Para mim, é isso o que o dia representa: orgulho de ter nascido no Rio Grande. De tomar chimarrão num fim de tarde de verão ou inverno, comer bergamota sentada na grama e churrasco no domingo, de cantar "Querência Amada", "Vento Negro" e "Céu, Sul, Terra e Cor". Representa o orgulho de uma cultura que é mantida viva por CTGs, pais e avós e o orgulho de ter nascido em um estado cuja população lutou e se sacrificou por muito tempo para defender as fronteiras sul brasileiras.


Dizem que nós somos bairristas, somos sim e boa parte dos meus amigos diria que antes de ser brasileiro, é gaúcho. O bairrismo é a expressão do amor desmedido que sentimos por esse estado, pelas nossas expressões, pelo que criamos e pelas razões pelas quais um dia lutamos contra o resto do Brasil para sermos um país independente.

Se nosso bairrismo fosse nacional, não apenas estadual, e compartilhado por todos os brasileiros, o Brasil seria um lugar melhor, pois não aceitaríamos ser explorados por políticos corruptos, impostos exorbitantes e bolsas governamentais que deveriam servir de incentivo para que os mais necessitados aprendessem a andar com suas próprias pernas e não para que se tornassem ainda mais acomodados.

Talvez, lentamente, as coisas estejam mudando. Talvez daqui alguns anos, ao invés de arriscar expressões capengas de um idioma que não tem nada a ver conosco, os jovens aprendam a falar e escrever o português corretamente, nós finalmente consigamos reunir a voz necessária para sermos ouvidos, não apenas através de manifestações no feriado de Independência, mas indo as ruas diariamente, como um dia em um passado não muito distante, aconteceu.

Espero que a revolução comece aqui, pois temos marcado em nossa história o dia 20 de setembro de 1845 e desde crianças aprendemos que "povo que não tem virtude, acaba por ser escravo".



domingo, 20 de março de 2011

Noite Pela Cidade

Já era muito tarde quando resolvi sair pra caminhar. Sempre tive um certo receio com relação a sair andando completamente sozinha e sem rumo à noite pela cidade, mas o céu estava tão estrelado e a lua tão cheia e luminosa que não pude evitar. Minha estranha urgência para sair de casa foi tão grande que lembrei somente de pegar as chaves.

Comecei a perambular, passando por locais que considero especiais, depois meus lugares preferidos, por aqueles que me transmitem tranqüilidade e os que considero divertidos. Fui na casa de amigos mas, por consideração, resolvi não perturbá-los. Também parei no portão dos não tão amigos, porém, por não estar com humor para arranjar briga, fui embora de fininho.

Aos poucos, minha própria história foi se desenhando através de imagens e palavras, lágrimas e risadas, músicas e filmes. Uma verdadeira colcha de retalhos formada por lembranças antigas e recentes.

Foi quando percebi que procurava algo, sem saber exatamente o quê. Ao invés de diminuir, a ansiedade aumentou, comecei a me sentir desesperada. Parecia que o quer que eu tivesse perdido na estrada que venho traçando ao longo de uma vida, era importante. Era algo que deveria permanecer ao meu lado sempre, nos bons e nos maus momentos.

Lágrimas me vieram aos olhos e enquanto a noite parecia se tornar mais fria, enquanto a lua parecia desaparecer e o brilho das estrelas diminuir. O desespero estava se apoderando do meu ser quando comecei a correr. Não conseguia respirar direito e lateral do meu corpo começou a doer. Eu precisava encontrar o que estava faltando!

Quando a frustração por não lembrar se tornou insuportável, eu a vi, sozinha e calada, sentada em um balanço da praça, com a cabeça baixa como se houvesse perdido a fé de que, um dia, eu viria buscá-la.

Ela ergueu a cabeça e nos encaramos. Olhos nos olhos. A surpresa e alegria dela refletidos nos meus e meu choque e alívio nos dela.

- Você voltou! – Ela me disse.
- Não acredito que te encontrei e nem que era você que eu procurava – respondi.
- Já não era sem tempo de você voltar.

A abracei como se minha vida dependesse disso e ela voltou a ser uma parte de mim. A parte que faltava e sem a qual eu não sou completa. A verdade é que, em algum ponto daquele longo caminho, perdi essa pequena parte de mim mesma, que definia muito do meu ser e naquela noite, momentaneamente sombria, voltei a me encontrar.

A lua voltou a aparecer e as estrelas a brilhar. Pela primeira vez em muito tempo voltei a ser feliz de verdade. Enquanto caminhava calmamente para casa, tive certeza de que tudo estava em seu devido lugar e que não havia mais nada a temer.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Welcome to Burlesque

De acordo com a Wikipédia, Burlesque (ou burlesco) é um gênero literário e teatral de estética grotesca cujo objetivo é satirizar, de forma picante (para não dizer erótica), obras de autores considerados sérios pela sociedade. Para Steve Antin, Burlesque é o nome de uma boate na qual as dançarinas dublam grandes divas da música, sendo pano de fundo para o filme de mesmo nome.

Estrelado por Christina Aguilera e Cher, o enredo se desenrola com muita música, dança e os clichês básicos de todo “bom” filme hollywoodiano. Ali (Aguilera) é uma pobre moça do interior do EUA, sem nenhuma perspectiva de futuro, que vai para Los Angeles realizar o sonho de ser cantora (clichê nº.1). Lá, conhece o bar Burlesque e impressiona a dona Tess (Cher) com sua bela voz e o bartender Jack (Cam Gigandet) com sua beleza (clichê nº. 2), roubando de Nikki (Kristen Bell), a arrogante dançarina principal, o posto de estrela do espetáculo e o namorado, o milionário Marcus (Eric Dane e clichê nº. 3).

Recomendado para fãs de musicais românticos (será que existe esse termo?), o filme prima pela trilha sonora, bonitos cenários, belos figurinos e fotografia, mas peca pela obviedade extrema do roteiro (que é "mais do mesmo"). Entretanto, como bônus, apresenta Christina Aguilera interpretando de forma convincente sua personagem.

É importante frisar que esse é o típico filme para se assistir com as amigas, sem namorados/maridos/noivos/roloqualquer por perto, comendo doces e outras gostosuras. Portanto, escolha um dia em que o querido estará entretido assistindo futebol, deixe-o grudado no sofá em frente à televisão e chame as amigas para ir ao cinema ou, se preferir esperar o filme sair em DVD (ou simplesmente baixá-lo no computador), fazer uma girls night e assisti-lo em casa.

P.S.: Abaixo tem o clipe de Welcome to Burlesque, a música mais legal do filme (na minha humilde opinião).


sábado, 25 de dezembro de 2010

Aaaaaah, o Natal


Lembro quando eu era criança e a expectativa com o Natal começava junto com o mês de dezembro. Meus pais costumavam comprar um pinheiro de verdade (não como aqueles dos filmes americanos, mas a versão tupiniquim dele), eu ajudava minha mãe a decorar a árvore e montar o presépio só para poder brincar com os enfeites durante o processo, meu pai pendurava as luzinhas do lado de fora da casa, as casas da rua eram enfeitadas e a cada semana, eu pensava num presente diferente até escrever a cartinha pro Papai Noel pedindo alguma coisa da Barbie.

A ceia acontecia na minha casa e durante o dia todo, meus tios entravam e saiam trazendo sobremesas, bebidas ou ajudando minha mãe a preparar o recheio do peru. Enquanto isso, meus primos e eu corríamos de um lado para o outro, jogando taco, brincando de esconde-esconde ou íamos jogar vídeo-game.

Durante a noite, por algum tempo, eu e a as outras crianças da família parecíamos “seres civilizados” de banho tomado e com nossas roupas novas. Meia hora depois, a ilusão terminava, pois nossos rostos estavam suados, as roupas desalinhadas e nós estávamos correndo pela rua com o resto das crianças da vizinhança. Pelo menos até a hora do amigo secreto.

Depois vinha ceia e então, bem alimentados e cansados, aproveitavamos que os adultos estavam conversando e íamos assistir os especiais de Natal. Não demorava muito e cerca de sete crianças estavam profundamente adormecidas ou no sofá ou no chão da sala ou em ambos.

Na manhã do dia 25, a primeira pergunta que me passava na cabeça era “Será que o Papai Noel trouxe o que eu pedi?!”, saia correndo do meu quarto para a sala e abria o presente me sentido a criança mais feliz do mundo. Enquanto assistia os desenhos especiais de Natal, ficava brincando com presente até meus primos aparecerem ou minha mãe me chamar para almoçar, o que acontecesse primeiro.

Assim, o Natal se tornou meu feriado preferido e até hoje tenho dificuldade em entender porque algumas pessoas não gostam da data ou porque se referem a ela como um rito entediante a ser cumprido anualmente e não um momento de alegria no qual as famílias grandes (como é o caso da minha) ou pequenas se reúnem e demonstram que, apesar de todas as diferenças, sempre estarão unidas.

Aqui em casa, a família cresceu ao longo dos anos e a sede da ceia precisou ser alterada: ao invés da minha casa, agora é na casa da minha tia. Eu e as outras seis crianças do passado passamos a integrar o grupo dos que ficam conversando e ganhamos substitutos a altura.

Mas uma coisa me entristece: ver que as pessoas não decoram mais as casas e apesar dos especiais de Natal permanecerem, parece eu o “espírito natalino” foi substituído pelo “espírito do consumismo sem fim”, a festa toda parece se resumir a presentes e as cores diminuíram.

Mesmo assim, o Natal continua sendo meu feriado preferido, porque em uma família, numa cidade da serra gaúcha, algumas crianças cresceram, outras nasceram e alguns rostos envelheceram, mas nem tudo mudou e a data que representa o que ser humano tem de melhor, o ato de dar e receber e a felicidade por se estar lado a lado com se ama ainda é comemorada.

Feliz Natal a todos.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

“Não me lembro da cidade ser hostil assim antes de eu partir. Agora que voltei, ela parece fria e cinza como uma manhã de inverno no sul. Será que sempre foi assim ou terei mudado nesse breve período? De qualquer forma, sozinha aqui tudo parece maior e eu me sinto menor, me perguntando se algum dia voltarei a te ver fora dos meus sonhos, das minhas lembranças, criados pela sensação de estar ao teu lado, nos teus baços.

Parti de uma país distante em busca de um sonho a ser realizado nessa metrópole e nesse percurso, querendo conhecer novas pessoas e novos lugares, me desviei do caminho por um instante, tempo que foi suficiente para te encontrar e agora me pergunto: Nova York deixou te brilhar ou teu amor apagou o glamour inerente à cidade?”

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Conto de Fadas - A Princesa na Torre 2

Semanas após a partida do seu Príncipe, a infeliz Princesa ainda chorava injuriada, indignada e decepcionada em seu quarto. Cansada de tanto drama, a Bruxa arrombou a porta e deu um basta no sofrimento da Princesa:

- Parou a palhaçada! Hoje tu vai sair comigo e conhecer uns guerreiros vikings que estão tocando o terror na galera do povoado. Não agüento mais te ouvir chorar.
- Não! Meu príncipe se foi e só o que me resta são as lágrimas! – chorou a princesa.
- E as rugas que elas te trarão e nenhum tônico, feitiço ou poção que eu fizer irão resolver não te preocupam não???? – disse a Bruxa, com um sorriso maldoso.
- Que hora saímos? – perguntou a Princesa, secando o rosto.

Naquela noite, após as habilidades como maquiadora e cabeleireira da Bruxa e uma ligação emergencial para a sapataria e ateliê de costura da Fada Madrinha devolverem a beleza (e darem um corte mais moderno ao cabelo) da princesa, elas foram a taberna na qual os vikings comemoravam sua vitória.

- Aí, Bruxa!!! Como você ta? Quem é tua amiga???
- Tô bem. Essa é a Princesa, minha refém. – respondeu ela olhando para os vikings – fiquem de olho nela enquanto vou pegar cerveja.
- Senta aqui com a gente Princesa, tens minha palavra que não iremos machucá-la – disse o Lorde Viking chefe daquele exército.

A Princesa, sem outra alternativa, aceitou o convite e ao conversar com aquele povo estranho voltou a sorrir, pela primeira vez em semanas e contrariando todos os ensinamentos dos contos de fadas, tornou-se amiga deles.

Noites depois, na mesma taberna, o Lorde Viking perguntou a princesa algo que o deixara intrigado quando se conheceram:

- Princesa, por que você estava triste quando a conhecemos?
- Meu Príncipe me trocou por uma busca mística – disse ela, com seu belo sorriso se apagando.
- Que cara imbecil – indignou-se o Lorde Viking.
- Por quê? – perguntou a Princesa curiosa.
- Para largar uma Princesa simpática, engraçada, inteligente e linda como você para ir atrás de algo que talvez nem exista o cara tem que ser muito burro. Fosse eu no lugar dele, já teria arrombado a torre, decapitado a bruxa e assado o Dragão para servir no banquete em que comemoraríamos tua liberdade.

O clima romântico entre o viking e a Princesa era perceptível desde que começaram a conversar, mas mesmo assim, a Princesa ficou encabulada e a Bruxa preocupada:

- Decapitar??? Minha cabeça??? Sério mesmo???
- Aham – respondeu o Lorde – Vou pegar mais cerveja enquanto você pensa nisso, Bruxa.
- Ô Princesa, troca uns beijos aí com ele antes que eu perca minha cabeça, literalmente.
- Você acha, Bruxa??? Será que eu tenho chance? Mas o que eu faço? Você é minha única amiga, me diz o que fazer!!!
- Ô anta, não ouviu a direta dele não? Espera... ouvi bem, você me chamou de amiga? – a Princesa confirmou com a cabeça e a Bruxa se emocionou percebendo que também considerava a Princesa – Putz, mas também não faço idéia, esse aí é mei lento, sabe?
- Lento nada, é timidez mesmo. Mas faz assim ó: pega ele de jeito pelo cabelo ou pela barba mesmo e dá um beijo daqueles. O patrão vai adorar – respondeu o capitão, braço direito do Lorde, que ouvira toda a conversa.
- Iiiiiiiih, já era... Quem age assim é Valkíria e essa aí é Princesinha de Torre, esqueceu? – deprimiu-se a Bruxa.
- Valkíria? – perguntou a Princesa
- Princesas-guerreiras nórdicas, as filhas do deus todo poderoso Odin. São mulheres orgulhosas, decididas, corajosas e independentes. – explicou o capitão – Mas é Bruxa, tens razão, Princesas de Torre não servem para Valkírias, são meigas demais.
- Lá se vai meu pescoço...
- Ele ainda vai demorar para fazer algo.
- Mas vai fazer, não vai? – perguntou a Bruxa
- Lá se vai a tua cabeça – respondeu o capitão tomando o último gole da sua cerveja.

A princesa ponderava as palavras do capitão. Estava cansada de chorar, se lamentar e esperar pelo resgate de príncipes que jamais retornavam. Gostava da idéia de fazer as coisas por si mesma, de ser independente. Se tornar uma Valkíria parecia-lhe cada vez mais uma idéia tentadora. Mas e se o capitão estivesse certo e aquele não fosse o destino dela?

O bardo começou a tocar uma canção sobre liberdade, enquanto o Capitão prestava condolências antecipadas à bruxa, que redigia o próprio testamento (a torre e as poções cosméticas vão para a Princesa, a caverna e os carneiros para o Dragão). Foi quando a Princesa tomou uma decisão.

Levantando-se bruscamente (Tá indo aonde? – perguntou a Bruxa), ela caminhou decidida em direção ao Lorde Viking que esperava as canecas de cerveja no bar.

Ao perceber a aproximação da Princesa, o Lorde virou-se sorrindo para recebê-la, ela o abraçou e fez como o capitão recomendará: segurou firmemente o cabelo do Lorde enquanto o beijava. Surpreso, só restou a ele retribuir.

Meses depois, esfarrapado, cansado de buscas inúteis, pronto para o compromisso e para a batalha pela mão da Princesa, o Príncipe retornou a torre, encontrando-a trancada, vazia e com apenas um bilhete preso à porta:

“Querido Príncipe,
No último outono, eu e a Bruxa nos tornamos amigas de alguns guerreiros vikings que assolavam a região.
Semana passada, recebemos uma mensagem do Lorde deles, nos convidando para uma temporada de férias no País Nórdico do qual vieram.
Como o trabalho de reconstrução foi super puxado, aceitamos na hora e partimos para lá com o Dragão.
Cansada de esperar teu retorno, amor e resgate, que estavam demorando muito, falei com a Bruxa e como salvei o pescoço dela através de loooooooonga negociação com o Lorde Viking, ela topou me libertar.
É provável que retornemos após o fim do inverno. Quando chegar, te aviso.
Beijo, Princesa”

FIM

*História meramente ficional, qualquer semelhança com pessoas, fatos ou diálogos da vida real, é mera coincidência

domingo, 16 de maio de 2010

Conto de Fadas - A Princesa na Torre

Era uma vez, uma linda Princesa que vivia lépida e faceira presa em sua torre.

A Bruxa que a mantinha cativa deveria se preocupar com tamanha alegria, mas não se importava, já que uma princesa de bom humor é mais facilmente persuadida a servir de cobaia para feitiços, poções e encantamentos. Além disso, era inegável que após tantos anos de convivência, passara a suportar a princesa, mesmo não tendo paciência para lidar com suas (des)ilusões amorosas.

Certo dia, passou pelo povoado um Príncipe que saira de seu reino em uma busca mística por riquezas e sabedoria. Na taverna local, enquanto almoçava, os aldeões lhe contaram sobre a pobre Princesa que vivia presa pela Bruxa da Torre.

Mesmo sem querer um compromisso que atrapalharia sua missão, o Príncipe ficou curioso a respeito da história, montou em seu cavalo e se encaminhou para ao cativeiro da princesa.

Ele se aproximou cautelosamente da torre e clamou pela princesa, torcendo para que a bruxa não o ouvisse e que o dragão, encarregado da guarda, não o atacasse.

Ela se aproximou do balcão e ele lhe pediu que jogasse suas tranças, permitindo-lhe assim chegar próximo a ela, evitando tanto Dragão quanto Bruxa.

A princesa olhou seu belo e bem cuidado cabelo (um dos fortes da bruxa eram tônicos de hidratação e regeneração capilar) e gritou:

- BRUXAAAAAA!!!!! Tem um príncipe aí embaixo. Posso permitir sua entrada pela porta????
- NÃO!!! Se queres recebe-lo, joga tuas tranças e ele que se quebre escalando.
- Tens noção que ele irá destrui-las e passarei semanas te atazanando por causa disso?
- AE DRAGÃO!!! Libera a entrada do mané aí fora!!! – gritou a Bruxa prevendo o inferno que seria sua vida se a princesa concretizasse o que dissera.

O Dragão se afastou e o Príncipe, de espada em mãos, se aproximou da entrada, subindo rapidamente os degraus que o separavam de sua amada...
Pronto para enfrentar qualquer perigo, surpreendeu-se ao ver a princesa radiante e maquiada (outra habilidade da bruxa: desenvolvimento de poções cosméticas) e a bruxa deitada no sofá lendo calmamente “10 Maneiras de Transformar Príncipes em Sapos”.

- Minha princesa, és ainda mais bela de perto! – admirou-se o príncipe.
- Meu príncipe, vós sois tão gentil...

Revirando os olhos impaciente com tanta doçura, a Bruxa falou:

- Tá, ta... larguem fora logo e traz essa mala de volta até a meia-noite ou vou testar os feitiços do meu livro em ti, já que ela ainda é minha prisioneira e tu um caloteiro que não pagou o resgate.

E lá se foi o casal, sorrindo feliz, para o que seria o encontro de seus sonhos. Passearam no bosque, divertiram-se na feira da cidade, andaram de barco e ao deixar a princesa em casa no horário marcado, o príncipe a beijou apaixonadamente com a lua cheia brilhando no céu.

Ao se separarem, a princesa exclamou:

- Meu príncipe, suba e pague logo meu resgate para que bruxa enfim me liberte e possamos ser felizes para sempre.
- Então Princesa, estou no meio de uma busca e só dei uma parada para poder conhecê-la e hoje não rola. Sinto muito, mas prometo voltar para resgatá-la assim que minha missão for concluída. – respondeu o príncipe se afastando rapidamente.

Aos prantos, a princesa entrou na torre e trancou-se em seu quarto. Pela janela, a Bruxa olhou para o dragão e disse:

- Te falei que o mané não ia libertar ela! Me deves 10 moedas de ouro e vai já destruir ou saquear uma aldeia porque preciso logo da grana. – o dragão apenas bufou e seguiu a ordem da Bruxa, amaldiçoando o Príncipe.

Continua (um dia, eventualmente)...

*Essa é uma obra ficcional, semelhanças com pessoas e fatos reais são mera coincidência

terça-feira, 13 de abril de 2010

Prólogo - Continuação

O sol estava prestes a nascer e ele ainda estava acordado. Tinha medo de dormir e ser assombrado na escuridão de seus sonhos pelas doces lembranças de um tempo que há muito se fora.

Miriel. Acordara pensando nela e isso o deixara mal humorado. Mesmo após tantos anos, a dor que sentia por sua perda ainda era imensa e ele duvidava que algum dia seria completamente curada. Entretanto, tornara-se hábil em enterra-la no fundo de seu peito.

Eilian balançou a cabeça, procurando se livrar dos pensamentos que tanto o machucavam.

Morando sozinho em um belo apartamento no centro da cidade não precisava se preocupar com as críticas dos conhecidos no que diz respeito a seu semblante sempre soturno. Até Kairin reclamava de sua seriedade.

Ela atribuía isso a perda de Miriel, reclamando que sempre que estava com ela, Eilian não parava de sorrir e da boca para fora se amaldiçoava pelo que fizera sem, realmente, se sentir minimamente culpada.

Eilian sorriu amargurado. De certa forma, Kairin tinha razão. Mesmo sendo sério e introspectivo desde criança, sempre que Miriel estava presente ele se tornava mais leve e alegre. Até mesmo seus pais se surpreendiam com a mudança que ela ocasionava.

A dor voltou com força e dessa vez, de forma física também. Eilian fechou a persiana e foi para a cama. Estava na hora de dormir e enquanto ansiava por rever Miriel em seus sonhos, temia esse momento, pois sabia que ao acordar, ela não estaria mais ao seu lado.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Prólogo

Ela tinha 8 ou 9 anos e corria pela floresta em direção ao castelo. Não conseguia entender como esquecera que aquele era o dia marcado para o retorno dele. Eles haviam sido inseparáveis até aquele outono quando o príncipe, 3 anos mais velho, fora enviado a terras distantes para que pudesse aprender a ler, escrever, matemática e adquirir outros conhecimentos que o rei julgava necessários a seu filho do meio, futuro conselheiro do primogênito real, o qual subiria ao trono após a morte do rei.

Cada metro que a pequena condessa corria, deixava-a mais próxima do palácio e de seu melhor amigo, seu único amigo. As meninas da corte de quem ela gostava ou eram mais velhas ou mais novas e as que tinham sua idade eram frescas demais, passando o dia a bordar ao lado das mães que sabiam apenas fofocar a respeito da vida na corte. Não é que a jovem condessa não se interessasse por pintar e bordar ou não gostasse de música e leituras. Não, o que acontecia é que sendo órfã de mãe, fora criada pelo pai, o irmão e uma velha dama de companhia. A pobre dama, muito querida pela menina, já era idosa e não conseguia controlá-la. O pai e o irmão a adoravam tanto que lhes era custoso se negar a lhe ensinar a pescar, subir em árvores ou lutar como um cavaleiro.

A lembrança do pai a alarmou. Ele deveria estar furioso pelo sumiço dela e ficaria ainda mais quando visse seu estado. Essa perspectiva quase a fez retroceder, mas a saudade de seu amigo falou mais alto e a menina atravessou a ponte para entrar no castelo e os gritos foram ouvidos.

- Onde você estava?! O que aconteceu com seu vestido?! Como ousas se apresentar perante o rei e o príncipe recém chegado nesse estado?! – presumivelmente os gritos eram de seu pai que estava realmente furioso.

A pequena condessa seu encolheu, mas um garoto franzino e de olhos cinzentos saiu da multidão que o cercava, saiu correndo da multidão, passou pelo conde e a abraçou, fazendo com que a corte a encarasse chocada e os soberanos rissem.

- Creio que meu filho não se importa com isso, velho amigo, e para ser sincero, nós também não. São coisas da idade e logo a pequena se tornará um bela moça e sentirás falta desses momentos – respondeu a rainha.
- Senti sua falta – falou o príncipe.
- E eu a sua. Esse lugar fica muito sem graça sem você por perto – respondeu a pequena condessa.

Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip.

O barulho insistente do despertador não pertencia aquele local. Muito a contragosto, Emily abriu os olhos sentindo uma dor inexplicável no peito, como se acabasse de perder um dos melhores momentos de sua vida. “Foi um sonho”, ela pensou sentada na cama, “Só um sonho”. Sem saber exatamente porque, Emily começou a chorar.

sábado, 30 de janeiro de 2010

"Do you feel it, Porto Alegre?"

Não lembro exatamente o dia, mês ou estação do ano. Lembro somente que tinha 14 anos e passava roupa assistindo ao programa TVZ do canal de TV a cabo Multishow. Levemente revoltada com a incumbência deixada por minha mãe, pensava na vida e problemas que podem fazer com que uma adolescente dessa idade desviar a atenção dos afazeres domésticos.

Foi com esse estado de espírito que ouvi os primeiros acordes de uma melodia doce e orquestrada. Ergui a cabeça a tempo de processar duas informações que estavam na tela: Nothing Else Maters executada por Metallica em conjunto com a Orquestra Sinfônica de São Francisco.

Desliguei o ferro, sentei no sofá e assisti completamente hipnotizada ao clipe. Nesse dia começou minha paixão por Metallica e pelo heavy metal.

Por muito tempo, esperei ansiosamente um show em Porto Alegre e só deixei de me importar com a vinda ou não da banda ao Brasil, e mais importante ao meu estado, quando ouvi Saint Anger pela primeira vez. Decepção. Delisusão. Indignação.

Como muitos outros fãs da banda, me senti traída, afinal, como meus ídolos puderam lançar aquilo? Não conseguia entender.

Dessa forma, minha adolescência se foi e com ela minha paixão e devoção pelos “Quatro Cavaleiros”, apesar de sempre ler quando saia alguma matéria sobre eles na web.

Foi assim, gostando sem gostar, que fiquei sabendo sobre o lançamento de Death Magnetic. Sem saber o que esperar, respirei fundo, me enchi de coragem e fui escutar o dito cujo, considerado por muitos fãs mais antigos a redenção dos caras. Em muito superior a Saint Anger, continuava inferior a Ride the Lightning, Master of Puppets, And Justice For All ou Metallica (vulgo The Black Album, meu preferido por sinal). Naquele dia tive a confirmação fatídica: dos meus tempos de fã, só restavam as lembranças e os antigos CDs.

Entretanto, ao ouvir a frase: “Metallica vem pra Porto Alegre em janeiro”, separei os R$ 140,00 do ingresso. Valor salgado? Sim, entretanto, após quase 10 anos, minhas preces haviam sido atendidas e eu devia esse show a mim mesma.

Claro que entre o dia da compra do ingresso e o do show, quase 2 meses se passaram e nesse período pensei em desistir várias vezes e vender o tal por um valor ainda mais salgado (querem o quê? Sou uma moça realista vivendo um mundo capitalista).

Mas antes que pudesse por meus planos em prática, o grande dia chegou. No trem, a caminho do Parque Condor, me perguntei se aquela era a coisa certa a se fazer.se não deveria negociar com algum cambista ou desesperado que estivesse de bobeira na bilheteria. Não conseguia recordar o que me fizera amar aquela banda tão intensamente. “Devem ter sido os hormônios da adolescência”, disse a mim mesma.

Ainda questionava o porque da minha presença no parque quando as luzes se apagaram, Ecstasy of Gold começou a tocar e mais de 27.000 pessoas começaram a gritar. Eu entre elas.

Creeping Death, For Whom the Bell Tolls, Ride the Lightning e Fade to Black foram as próximas. Quatro clássicos, as coisas iam bem, muito bem, diga-se de passagem. Não poderia esperar mais nada. Não me atrevia a esperar mais nada. Ou será que sim?

Sim, me atrevia.

Mas não o que veio a seguir. Fui surpreendida pelos tiros e explosões que marcam a entrada de One e ainda mais pelos fogos e labaredas que começaram em sincronia com a música. Fui ao delírio. Precisei admitir para mim mesma que James Hetfield e companhia sabem como conduzir um espetáculo.

The World Magnetic Tour já se tornara inesquecível, um verdadeiro marco na minha curta existência. Mas... faltava alguma coisa para ser o show perfeito.

Já sabia de antemão que a banda não tocaria The Unforvigen I, minha música preferida. Porém, tinha esperança que tocassem uma música. Aquela música que tornara a banda tão especial para mim.

Quando Kirk Hammet dedilhou uma balada, senti o que vinha a seguir. Eu sabia. Tinha certeza. E dessa vez, não fui decepcionada: os primeiros riffs de Nothing Else Matters foram tocados e fechei meus olhos, saboreando aquele momento, a melodia me atingindo e me arrepiando.

Enquanto abria os olhos, James Hetfield começou a cantar. A voz que embalara meus sonhos tantos anos antes. A noite finalmente estava perfeita e o que viesse seria lucro. Eu voltara no tempo 10 anos. A mágica fora feita e a paixão reacesa. Lembrei porque Metallica era minha banda preferida: simplesmente porque suas músicas tocavam minha alma e representavam muito do que eu sentia.

Por isso, quando Hetfield gritou “Do you feel it, Porto Alegre?” respondi a plenos pulmões “YEAH!”. Minha alma fora lavada, a noite do dia 28/01/10 foi, até então, a melhor noite da minha vida e The World Magnetic, o melhor show.

Não espero que todos concordem com o que escrevi acima, mas foi isso o que senti, pensei e recordei ao longo das 6 horas que permaneci no Parque Condor e creio que todos já tiveram um momento no qual vão pensar sempre com carinho.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Humor Fashion (ou quase...)

Se tem uma coisa que eu gosto muito e fazer é ir a uma festa e reparar na roupa alheia.

Não que eu me vista suuuuuper bem, mas me acalma saber que tem pessoas com senso fashion pior nesse mundo.

Quem normalmente me acompanha nessa difícil, porém divertida empreitada é a Mah, com sua ironia fina e comentários mordazes sempre presentes. Entretanto, nem sempre é possível contar a presença dela nessa missão.

Nessas ocasiões, só me resta ter a sorte ao meu lado e fazer novas amigas que compartilhem desse hobby.

Foi o que aconteceu alguns dias atrás, quando aos 30 minutos da prorrogação, com o juiz quase declarando que a partia seria decidida nos pênaltis, decidi ir a uma festa com a Rachel e conheci a Pati.

Chegamos na festa e ela largou o comentário que eu estava esperando ouvir desde que saí da casa da Chel:

- Olha a roupa daquela guria!
- Siiiim! Esqueceu de se olhar no espelho antes de sair. – respondi
- Ahan.

A partir daí os comentários começaram a ser tecidos e foram se tornando cada vez mais engraçados até que...

Antes de continuar, porém, preciso adverti-los que essa brincadeira tem um ponto negativo: tu pode não saber, mas tu e o alvo podem ter amigos em comum.

- Cara, tu viu a Amy Winehouse wanna be? – perguntei para a Pati.
- Vi e me segurei pra não ir atrás de um pente e passar no cabelo dela – respondeu ela.
- De quem vocês duas estão falando? – perguntou a Chel.
- Da clone da Amy Winehouse que está por aí – uma de nós respondeu.
- Ah, a Carolina*?

Opa...

Infelizmente nessas horas a reação reflexa não é pedir desculpas ou parar de falar, mas sim rir mais ainda. É claro que a coisa sempre pode piorar:

- Olha o cabeludo metido a latin lover parado ali – falei
- O Caco*? – respondeu a Pati.

Arregalei os olhos e antes que pudesse falar qualquer coisa, o tal do Caco chegou para falar com as gurias. Opa, de novo.

Nesse ponto, só restam duas alternativas, a primeira é parar com os comentários. E a segunda...

- Pois é gurias, a combinação calor e estômago vazio não me desceu bem, vou para casa.
- Mas é cedo e tu nem bebeu nada! – exclamou Chel indignada.
- Mas pressão baixa é f***. É melhor eu ir antes de passar realmente mal. – respondi.

Perdi a festa, mas sabe como é, Murphy não perdoa e tudo sempre pode ficar pior do que já está, vai que meu próximo comentário fosse feito com a(o) namorada(o) do alvo do lado? Melhor não arriscar, pelo menos até eu começar a lutar Muay Thai ou outra arte marcial qualquer.




*Nomes fictícios com o intuito de preservar a identidade das vítimas e os dentes da autora.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Aprendi

Alguns de vocês já devem ter lido um texto chamado “Aprendi”, cuja autoria é creditada a William Shakespeare. Há cerca de duas semanas, estava no trabalho e lembrei dele. Foi quando resolvi escrever minha própria versão do texto:

“Aprendi que...
Nada é imutável e tudo pode se transformar no período da batida do coração.
Nunca e Para Sempre são períodos de tempo muito extensos.
Não se pode voltar atrás na palavra dada, mas que no fim são as atitudes que realmente contam.
Amor para ser verdadeiro deve ser recíproco.
Somente os tolos não percebem os grandes significados escondidos nos pequenos atos.
O coração sente o que os olhos não vêem.
Pedir desculpas nem sempre traz o perdão.
Pais não são perfeitos, mas apenas gente como a gente.
Teus amigos vão te decepcionar, pois eles também têm direito de errar.
O melhor consolo às vezes é o silêncio.
Quase sempre existe um lado positivo nas piores tragédias.
Toda dor torna-se suportável com o tempo, mesmo aquelas que não podem ser remediadas.
Todos sofrem, mas somente os fracos desistem de lutar por medo de sofrer.
É possível se arrepender do que foi feito, mas o arrependimento por não arriscar é pior.
Cada um sente de um jeito e só é possível entender como outro está.
É muito fácil julgar e apontar quando se olha uma situação de fora.
Crenças, princípios e conceitos se alteram durante a vida.
Algumas lições devem ser aprendidas da forma mais difícil.
Não se deve viver no passado, mas aprender com ele.
Nada será igual ao que já foi, pode simplesmente ser melhor ou pior.
Às vezes, o fim só marca a possibilidade de um novo começo.”

Admito que é meio clichê e emo, mas é verdadeiro de acordo com a concepção de mundo que tenho agora, concordar ou discordar é com cada um =)