terça-feira, 13 de abril de 2010

Prólogo - Continuação

O sol estava prestes a nascer e ele ainda estava acordado. Tinha medo de dormir e ser assombrado na escuridão de seus sonhos pelas doces lembranças de um tempo que há muito se fora.

Miriel. Acordara pensando nela e isso o deixara mal humorado. Mesmo após tantos anos, a dor que sentia por sua perda ainda era imensa e ele duvidava que algum dia seria completamente curada. Entretanto, tornara-se hábil em enterra-la no fundo de seu peito.

Eilian balançou a cabeça, procurando se livrar dos pensamentos que tanto o machucavam.

Morando sozinho em um belo apartamento no centro da cidade não precisava se preocupar com as críticas dos conhecidos no que diz respeito a seu semblante sempre soturno. Até Kairin reclamava de sua seriedade.

Ela atribuía isso a perda de Miriel, reclamando que sempre que estava com ela, Eilian não parava de sorrir e da boca para fora se amaldiçoava pelo que fizera sem, realmente, se sentir minimamente culpada.

Eilian sorriu amargurado. De certa forma, Kairin tinha razão. Mesmo sendo sério e introspectivo desde criança, sempre que Miriel estava presente ele se tornava mais leve e alegre. Até mesmo seus pais se surpreendiam com a mudança que ela ocasionava.

A dor voltou com força e dessa vez, de forma física também. Eilian fechou a persiana e foi para a cama. Estava na hora de dormir e enquanto ansiava por rever Miriel em seus sonhos, temia esse momento, pois sabia que ao acordar, ela não estaria mais ao seu lado.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Prólogo

Ela tinha 8 ou 9 anos e corria pela floresta em direção ao castelo. Não conseguia entender como esquecera que aquele era o dia marcado para o retorno dele. Eles haviam sido inseparáveis até aquele outono quando o príncipe, 3 anos mais velho, fora enviado a terras distantes para que pudesse aprender a ler, escrever, matemática e adquirir outros conhecimentos que o rei julgava necessários a seu filho do meio, futuro conselheiro do primogênito real, o qual subiria ao trono após a morte do rei.

Cada metro que a pequena condessa corria, deixava-a mais próxima do palácio e de seu melhor amigo, seu único amigo. As meninas da corte de quem ela gostava ou eram mais velhas ou mais novas e as que tinham sua idade eram frescas demais, passando o dia a bordar ao lado das mães que sabiam apenas fofocar a respeito da vida na corte. Não é que a jovem condessa não se interessasse por pintar e bordar ou não gostasse de música e leituras. Não, o que acontecia é que sendo órfã de mãe, fora criada pelo pai, o irmão e uma velha dama de companhia. A pobre dama, muito querida pela menina, já era idosa e não conseguia controlá-la. O pai e o irmão a adoravam tanto que lhes era custoso se negar a lhe ensinar a pescar, subir em árvores ou lutar como um cavaleiro.

A lembrança do pai a alarmou. Ele deveria estar furioso pelo sumiço dela e ficaria ainda mais quando visse seu estado. Essa perspectiva quase a fez retroceder, mas a saudade de seu amigo falou mais alto e a menina atravessou a ponte para entrar no castelo e os gritos foram ouvidos.

- Onde você estava?! O que aconteceu com seu vestido?! Como ousas se apresentar perante o rei e o príncipe recém chegado nesse estado?! – presumivelmente os gritos eram de seu pai que estava realmente furioso.

A pequena condessa seu encolheu, mas um garoto franzino e de olhos cinzentos saiu da multidão que o cercava, saiu correndo da multidão, passou pelo conde e a abraçou, fazendo com que a corte a encarasse chocada e os soberanos rissem.

- Creio que meu filho não se importa com isso, velho amigo, e para ser sincero, nós também não. São coisas da idade e logo a pequena se tornará um bela moça e sentirás falta desses momentos – respondeu a rainha.
- Senti sua falta – falou o príncipe.
- E eu a sua. Esse lugar fica muito sem graça sem você por perto – respondeu a pequena condessa.

Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip. Bip.

O barulho insistente do despertador não pertencia aquele local. Muito a contragosto, Emily abriu os olhos sentindo uma dor inexplicável no peito, como se acabasse de perder um dos melhores momentos de sua vida. “Foi um sonho”, ela pensou sentada na cama, “Só um sonho”. Sem saber exatamente porque, Emily começou a chorar.

sábado, 30 de janeiro de 2010

"Do you feel it, Porto Alegre?"

Não lembro exatamente o dia, mês ou estação do ano. Lembro somente que tinha 14 anos e passava roupa assistindo ao programa TVZ do canal de TV a cabo Multishow. Levemente revoltada com a incumbência deixada por minha mãe, pensava na vida e problemas que podem fazer com que uma adolescente dessa idade desviar a atenção dos afazeres domésticos.

Foi com esse estado de espírito que ouvi os primeiros acordes de uma melodia doce e orquestrada. Ergui a cabeça a tempo de processar duas informações que estavam na tela: Nothing Else Maters executada por Metallica em conjunto com a Orquestra Sinfônica de São Francisco.

Desliguei o ferro, sentei no sofá e assisti completamente hipnotizada ao clipe. Nesse dia começou minha paixão por Metallica e pelo heavy metal.

Por muito tempo, esperei ansiosamente um show em Porto Alegre e só deixei de me importar com a vinda ou não da banda ao Brasil, e mais importante ao meu estado, quando ouvi Saint Anger pela primeira vez. Decepção. Delisusão. Indignação.

Como muitos outros fãs da banda, me senti traída, afinal, como meus ídolos puderam lançar aquilo? Não conseguia entender.

Dessa forma, minha adolescência se foi e com ela minha paixão e devoção pelos “Quatro Cavaleiros”, apesar de sempre ler quando saia alguma matéria sobre eles na web.

Foi assim, gostando sem gostar, que fiquei sabendo sobre o lançamento de Death Magnetic. Sem saber o que esperar, respirei fundo, me enchi de coragem e fui escutar o dito cujo, considerado por muitos fãs mais antigos a redenção dos caras. Em muito superior a Saint Anger, continuava inferior a Ride the Lightning, Master of Puppets, And Justice For All ou Metallica (vulgo The Black Album, meu preferido por sinal). Naquele dia tive a confirmação fatídica: dos meus tempos de fã, só restavam as lembranças e os antigos CDs.

Entretanto, ao ouvir a frase: “Metallica vem pra Porto Alegre em janeiro”, separei os R$ 140,00 do ingresso. Valor salgado? Sim, entretanto, após quase 10 anos, minhas preces haviam sido atendidas e eu devia esse show a mim mesma.

Claro que entre o dia da compra do ingresso e o do show, quase 2 meses se passaram e nesse período pensei em desistir várias vezes e vender o tal por um valor ainda mais salgado (querem o quê? Sou uma moça realista vivendo um mundo capitalista).

Mas antes que pudesse por meus planos em prática, o grande dia chegou. No trem, a caminho do Parque Condor, me perguntei se aquela era a coisa certa a se fazer.se não deveria negociar com algum cambista ou desesperado que estivesse de bobeira na bilheteria. Não conseguia recordar o que me fizera amar aquela banda tão intensamente. “Devem ter sido os hormônios da adolescência”, disse a mim mesma.

Ainda questionava o porque da minha presença no parque quando as luzes se apagaram, Ecstasy of Gold começou a tocar e mais de 27.000 pessoas começaram a gritar. Eu entre elas.

Creeping Death, For Whom the Bell Tolls, Ride the Lightning e Fade to Black foram as próximas. Quatro clássicos, as coisas iam bem, muito bem, diga-se de passagem. Não poderia esperar mais nada. Não me atrevia a esperar mais nada. Ou será que sim?

Sim, me atrevia.

Mas não o que veio a seguir. Fui surpreendida pelos tiros e explosões que marcam a entrada de One e ainda mais pelos fogos e labaredas que começaram em sincronia com a música. Fui ao delírio. Precisei admitir para mim mesma que James Hetfield e companhia sabem como conduzir um espetáculo.

The World Magnetic Tour já se tornara inesquecível, um verdadeiro marco na minha curta existência. Mas... faltava alguma coisa para ser o show perfeito.

Já sabia de antemão que a banda não tocaria The Unforvigen I, minha música preferida. Porém, tinha esperança que tocassem uma música. Aquela música que tornara a banda tão especial para mim.

Quando Kirk Hammet dedilhou uma balada, senti o que vinha a seguir. Eu sabia. Tinha certeza. E dessa vez, não fui decepcionada: os primeiros riffs de Nothing Else Matters foram tocados e fechei meus olhos, saboreando aquele momento, a melodia me atingindo e me arrepiando.

Enquanto abria os olhos, James Hetfield começou a cantar. A voz que embalara meus sonhos tantos anos antes. A noite finalmente estava perfeita e o que viesse seria lucro. Eu voltara no tempo 10 anos. A mágica fora feita e a paixão reacesa. Lembrei porque Metallica era minha banda preferida: simplesmente porque suas músicas tocavam minha alma e representavam muito do que eu sentia.

Por isso, quando Hetfield gritou “Do you feel it, Porto Alegre?” respondi a plenos pulmões “YEAH!”. Minha alma fora lavada, a noite do dia 28/01/10 foi, até então, a melhor noite da minha vida e The World Magnetic, o melhor show.

Não espero que todos concordem com o que escrevi acima, mas foi isso o que senti, pensei e recordei ao longo das 6 horas que permaneci no Parque Condor e creio que todos já tiveram um momento no qual vão pensar sempre com carinho.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Humor Fashion (ou quase...)

Se tem uma coisa que eu gosto muito e fazer é ir a uma festa e reparar na roupa alheia.

Não que eu me vista suuuuuper bem, mas me acalma saber que tem pessoas com senso fashion pior nesse mundo.

Quem normalmente me acompanha nessa difícil, porém divertida empreitada é a Mah, com sua ironia fina e comentários mordazes sempre presentes. Entretanto, nem sempre é possível contar a presença dela nessa missão.

Nessas ocasiões, só me resta ter a sorte ao meu lado e fazer novas amigas que compartilhem desse hobby.

Foi o que aconteceu alguns dias atrás, quando aos 30 minutos da prorrogação, com o juiz quase declarando que a partia seria decidida nos pênaltis, decidi ir a uma festa com a Rachel e conheci a Pati.

Chegamos na festa e ela largou o comentário que eu estava esperando ouvir desde que saí da casa da Chel:

- Olha a roupa daquela guria!
- Siiiim! Esqueceu de se olhar no espelho antes de sair. – respondi
- Ahan.

A partir daí os comentários começaram a ser tecidos e foram se tornando cada vez mais engraçados até que...

Antes de continuar, porém, preciso adverti-los que essa brincadeira tem um ponto negativo: tu pode não saber, mas tu e o alvo podem ter amigos em comum.

- Cara, tu viu a Amy Winehouse wanna be? – perguntei para a Pati.
- Vi e me segurei pra não ir atrás de um pente e passar no cabelo dela – respondeu ela.
- De quem vocês duas estão falando? – perguntou a Chel.
- Da clone da Amy Winehouse que está por aí – uma de nós respondeu.
- Ah, a Carolina*?

Opa...

Infelizmente nessas horas a reação reflexa não é pedir desculpas ou parar de falar, mas sim rir mais ainda. É claro que a coisa sempre pode piorar:

- Olha o cabeludo metido a latin lover parado ali – falei
- O Caco*? – respondeu a Pati.

Arregalei os olhos e antes que pudesse falar qualquer coisa, o tal do Caco chegou para falar com as gurias. Opa, de novo.

Nesse ponto, só restam duas alternativas, a primeira é parar com os comentários. E a segunda...

- Pois é gurias, a combinação calor e estômago vazio não me desceu bem, vou para casa.
- Mas é cedo e tu nem bebeu nada! – exclamou Chel indignada.
- Mas pressão baixa é f***. É melhor eu ir antes de passar realmente mal. – respondi.

Perdi a festa, mas sabe como é, Murphy não perdoa e tudo sempre pode ficar pior do que já está, vai que meu próximo comentário fosse feito com a(o) namorada(o) do alvo do lado? Melhor não arriscar, pelo menos até eu começar a lutar Muay Thai ou outra arte marcial qualquer.




*Nomes fictícios com o intuito de preservar a identidade das vítimas e os dentes da autora.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Aprendi

Alguns de vocês já devem ter lido um texto chamado “Aprendi”, cuja autoria é creditada a William Shakespeare. Há cerca de duas semanas, estava no trabalho e lembrei dele. Foi quando resolvi escrever minha própria versão do texto:

“Aprendi que...
Nada é imutável e tudo pode se transformar no período da batida do coração.
Nunca e Para Sempre são períodos de tempo muito extensos.
Não se pode voltar atrás na palavra dada, mas que no fim são as atitudes que realmente contam.
Amor para ser verdadeiro deve ser recíproco.
Somente os tolos não percebem os grandes significados escondidos nos pequenos atos.
O coração sente o que os olhos não vêem.
Pedir desculpas nem sempre traz o perdão.
Pais não são perfeitos, mas apenas gente como a gente.
Teus amigos vão te decepcionar, pois eles também têm direito de errar.
O melhor consolo às vezes é o silêncio.
Quase sempre existe um lado positivo nas piores tragédias.
Toda dor torna-se suportável com o tempo, mesmo aquelas que não podem ser remediadas.
Todos sofrem, mas somente os fracos desistem de lutar por medo de sofrer.
É possível se arrepender do que foi feito, mas o arrependimento por não arriscar é pior.
Cada um sente de um jeito e só é possível entender como outro está.
É muito fácil julgar e apontar quando se olha uma situação de fora.
Crenças, princípios e conceitos se alteram durante a vida.
Algumas lições devem ser aprendidas da forma mais difícil.
Não se deve viver no passado, mas aprender com ele.
Nada será igual ao que já foi, pode simplesmente ser melhor ou pior.
Às vezes, o fim só marca a possibilidade de um novo começo.”

Admito que é meio clichê e emo, mas é verdadeiro de acordo com a concepção de mundo que tenho agora, concordar ou discordar é com cada um =)

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Noite e Neblina

Texto escrito em 27/08/09, mas só postado hoje porque a autora é relapsa =)


Existem palavras que lutam para serem lidas. A mente de quem as escreve não descansa enquanto elas não são expostas, mesmo que acabem por se tornar apenas um fraco eco da realidade ou que seu significado represente somente superficialmente o teor da imaginação do escritor.

Aprendi isso nessa terça-feira, no segundo período da aula de Teorias da Publicidade (disciplina com duas características bastante interessantes: a primeira é ser ministrada por duas professoras – Paula Jung e Adriana Kurtz – e a segunda é que a aula da professora Kurtz, na realidade, é sobre cinema).

Como sempre, entrei na sala de lépida e faceira, escolhi um lugar próximo à janela, saquei meu exemplar de “Harry Potter e a Câmara Secreta” da mochila e comecei a ler. Estava nessa função quando a professora Adriana entrou na sala e iniciou a aula.

Após discursar um pouco sobre filmes ficcionais e não-ficcionais, ela mostrou para a turma a capa do DVD “Noite e Neblina” de Alain Resnais, documentário lançado em 1955 em comemoração ao segundo aniversário da libertação dos campos de concentração.

Com cenas rodadas no campo de Auschwitz, “Noite e Neblina” foi escrito por Jean Cayrol, sobrevivente de Orianemburgo, outra dessas filiais do inferno na Terra. Quando a professora falou isso e uma ou duas outras curiosidades básicas a respeito do filme, comecei a pensar apavorada “Onde é que eu fui estacionar meu patinete? Sabia que devia ter ido pra casa”.

Quem me conhece sabe que sou super sensível a filmes que retratem o sofrimento e a crueldade humanos. Sendo assim, foi com o coração na mão que resolvi encarar esse tour por Auschwitz. O bom senso? Perdeu de lavada a briga contra a curiosidade.

Cerca de meia hora e uns dois traumas depois, o parágrafo inicial desse texto começou a se formar na minha cabeça. Tudo estava muito confuso devido ao choque pós “Noite e Neblina”. Palavras misturavam-se as imagens de corpos que faziam crianças subnutridas da África do Sul parecerem obesas.

Obviamente não resisti ao impulso. Peguei minha agenda na mochila e comecei a escrever as primeiras linhas desse “desabafo”. Naquele instante, a única certeza que eu tinha é que precisava expressar, mesmo que de forma vaga e superficial, o que havia sentido enquanto olhava hipnotizada para o telão.

Relembrando agora essas sensações nada agradáveis, me pergunto o que não sentiram soldados e agentes humanitários quando chegaram aos portões dos campos nazistas e viram pessoas que foram privadas de sua dignidade, orgulho e humanidade, sendo reduzidas, após inúmeras e impensáveis formas de tortura física e psicológica, a caricaturas macabras do que foram outrora, quando a guerra, Hitler e Auschwitz não as haviam afastado de seus familiares e amigos.

Hoje, dois dias depois, algumas daquelas imagens ainda estão vívidas na minha memória e não é sem pesar que constato a veracidade por trás de uma frase proferida pela professora Adriana nessa fatídica terça-feira: não importa o tamanho ou a crueldade da tragédia, o cinema tem a capacidade transformá-la em algo belo.

Sim, porque a fotografia de “Noite e Neblina” (nas cenas filmadas pelo diretor e não adquiridas através dos arquivos da época) é linda, o texto é impecável, sincero e denso como pede o tema abordado no documentário, e a trilha é impressionante. Filme obrigatório para quem se interessa pelo holocausto ou quer ter uma percepção realista do tema.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Considerações sobre o tempo

Não sei se vocês já notaram como nossa percepção da passagem do tempo é relativa. Em alguns momentos, minutos tornam-se horas e horas parecem dias, já em outros, quando a noite começa ou termina, só nos resta a pergunta: “Que fim levou meu dia?”.

Essa crônica começou a se formar na minha mente há alguns dias, quando fazia compras com uma amiga. Enquanto esperávamos pela minha vez de ser atendida pela moça do caixa e fofocávamos a respeito da vida alheia, protagonizamos o seguinte diálogo:

- Tá, mas há quanto tempo vocês estão ficando? – me perguntou Marina.
- Hmmmm... Um mês e meio. Dia 13 completa dois meses. – respondi prontamente – Espera aí. Hoje é dia 10! “Jisuiz”, daqui 3 dias fazem dois meses!
- Não, Fê, hoje é dia 11.
- Putz! – exclamei surpresa – Como passou rápido!
- Sério? Estranho, tinha a impressão que vocês estão juntos há mais tempo.

A caminho de casa, comecei a divagar sobre como duas pessoas tão próximas e em alguns pontos tão parecidas quanto Marina e eu percebemos de forma distinta a passagem desse período. Pareceu mais rápido para mim por que estou diretamente envolvida enquanto ela apenas assiste de camarote o desenrolar da confusão?

Foi frustrante entrar no meu apartamento sem chegar a uma conclusão. E mais frustrante ainda observar a situação oposta quando, no dia seguinte, tentei escrever esse texto.

A tarde se arrastava. Eu havia acabado de ler “Quando Nietzsche Chorou” (LEIAM, é sério!) e ainda faltavam mais de vinte minutos para a master que eu estava gravando ficar pronta. Ou seja, só me restava escrever.

Infelizmente (pra mim) as palavras não saiam. O raciocínio não se formava e os minutos transcorriam lentamente.

Após o que pareceu horas, meus vinte minutos se esgotaram, desisti da idéia de escrever sobre o tempo e engavetei a idéia, já que pelo visto não era a hora de expressá-la em palavras.

Hoje, quase uma semana depois, quando resolvi escrever sobre minha recente incursão pela cena rocker de Porto Alegre através do show da banda de hard rock Rosa Tattooada, as considerações sobre a percepção temporal brotaram de forma razoavelmente lógica! Fazer o quê? Escrever, finalmente.

Minhas impressões sobre o show do Rosa? Ficam para daqui alguns dias, quando for escrever sobre outro acontecimento ou pensamento aleatório, afinal, parece que as idéias têm uma noção própria e bastante diferente da nossa a respeito da passagem do tempo.