quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Não sei ser cínica. Não sei esconder o que sinto e fingir o que não sinto. Já tentei e, acredite, não deu certo. Meu coração se partiu, minha alma se feriu. Não foi bonito e as feridas demoraram muito para cicatrizar.

A única coisa que posso fazer a esse respeito é segurar as lágrimas e abrir um sorriso que, caso você preste atenção nos meus olhos, verá que é triste. Infelizmente, esse é o máximo que a sinceridade me permite.

Me chame de tola, mas gosto de ser assim. Sou autêntica desse jeito e se você quer se aproximar, é bom conhecer esse meu "defeito" e saber que cada elogio ou crítica será sincero e reflexo dele.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Como a Aurora Precursora do Farol da Divindade

Essa é a primeira frase do Hino Riograndense, música que a gurizada aprende a cantar ainda no berço. Ontem foi 20 de setembro, dia que marcou o início de uma guerra que perdemos. "Tá, então porque vocês comoraram?" devem perguntar-se brasileiros de outros estados.

Simples, porque o 20 de setembro não representa vitória ou derrota em um guerra por valorização do charque. Povo nenhum pega em armas para lutar por meia dúzia de estancieiros insatisfeitos. O povo pega em armas para lutar por sua casa, por aqueles a quem ama, seus ideais, sua liberdade e seu orgulho.

Para mim, é isso o que o dia representa: orgulho de ter nascido no Rio Grande. De tomar chimarrão num fim de tarde de verão ou inverno, comer bergamota sentada na grama e churrasco no domingo, de cantar "Querência Amada", "Vento Negro" e "Céu, Sul, Terra e Cor". Representa o orgulho de uma cultura que é mantida viva por CTGs, pais e avós e o orgulho de ter nascido em um estado cuja população lutou e se sacrificou por muito tempo para defender as fronteiras sul brasileiras.


Dizem que nós somos bairristas, somos sim e boa parte dos meus amigos diria que antes de ser brasileiro, é gaúcho. O bairrismo é a expressão do amor desmedido que sentimos por esse estado, pelas nossas expressões, pelo que criamos e pelas razões pelas quais um dia lutamos contra o resto do Brasil para sermos um país independente.

Se nosso bairrismo fosse nacional, não apenas estadual, e compartilhado por todos os brasileiros, o Brasil seria um lugar melhor, pois não aceitaríamos ser explorados por políticos corruptos, impostos exorbitantes e bolsas governamentais que deveriam servir de incentivo para que os mais necessitados aprendessem a andar com suas próprias pernas e não para que se tornassem ainda mais acomodados.

Talvez, lentamente, as coisas estejam mudando. Talvez daqui alguns anos, ao invés de arriscar expressões capengas de um idioma que não tem nada a ver conosco, os jovens aprendam a falar e escrever o português corretamente, nós finalmente consigamos reunir a voz necessária para sermos ouvidos, não apenas através de manifestações no feriado de Independência, mas indo as ruas diariamente, como um dia em um passado não muito distante, aconteceu.

Espero que a revolução comece aqui, pois temos marcado em nossa história o dia 20 de setembro de 1845 e desde crianças aprendemos que "povo que não tem virtude, acaba por ser escravo".



domingo, 20 de março de 2011

Noite Pela Cidade

Já era muito tarde quando resolvi sair pra caminhar. Sempre tive um certo receio com relação a sair andando completamente sozinha e sem rumo à noite pela cidade, mas o céu estava tão estrelado e a lua tão cheia e luminosa que não pude evitar. Minha estranha urgência para sair de casa foi tão grande que lembrei somente de pegar as chaves.

Comecei a perambular, passando por locais que considero especiais, depois meus lugares preferidos, por aqueles que me transmitem tranqüilidade e os que considero divertidos. Fui na casa de amigos mas, por consideração, resolvi não perturbá-los. Também parei no portão dos não tão amigos, porém, por não estar com humor para arranjar briga, fui embora de fininho.

Aos poucos, minha própria história foi se desenhando através de imagens e palavras, lágrimas e risadas, músicas e filmes. Uma verdadeira colcha de retalhos formada por lembranças antigas e recentes.

Foi quando percebi que procurava algo, sem saber exatamente o quê. Ao invés de diminuir, a ansiedade aumentou, comecei a me sentir desesperada. Parecia que o quer que eu tivesse perdido na estrada que venho traçando ao longo de uma vida, era importante. Era algo que deveria permanecer ao meu lado sempre, nos bons e nos maus momentos.

Lágrimas me vieram aos olhos e enquanto a noite parecia se tornar mais fria, enquanto a lua parecia desaparecer e o brilho das estrelas diminuir. O desespero estava se apoderando do meu ser quando comecei a correr. Não conseguia respirar direito e lateral do meu corpo começou a doer. Eu precisava encontrar o que estava faltando!

Quando a frustração por não lembrar se tornou insuportável, eu a vi, sozinha e calada, sentada em um balanço da praça, com a cabeça baixa como se houvesse perdido a fé de que, um dia, eu viria buscá-la.

Ela ergueu a cabeça e nos encaramos. Olhos nos olhos. A surpresa e alegria dela refletidos nos meus e meu choque e alívio nos dela.

- Você voltou! – Ela me disse.
- Não acredito que te encontrei e nem que era você que eu procurava – respondi.
- Já não era sem tempo de você voltar.

A abracei como se minha vida dependesse disso e ela voltou a ser uma parte de mim. A parte que faltava e sem a qual eu não sou completa. A verdade é que, em algum ponto daquele longo caminho, perdi essa pequena parte de mim mesma, que definia muito do meu ser e naquela noite, momentaneamente sombria, voltei a me encontrar.

A lua voltou a aparecer e as estrelas a brilhar. Pela primeira vez em muito tempo voltei a ser feliz de verdade. Enquanto caminhava calmamente para casa, tive certeza de que tudo estava em seu devido lugar e que não havia mais nada a temer.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Welcome to Burlesque

De acordo com a Wikipédia, Burlesque (ou burlesco) é um gênero literário e teatral de estética grotesca cujo objetivo é satirizar, de forma picante (para não dizer erótica), obras de autores considerados sérios pela sociedade. Para Steve Antin, Burlesque é o nome de uma boate na qual as dançarinas dublam grandes divas da música, sendo pano de fundo para o filme de mesmo nome.

Estrelado por Christina Aguilera e Cher, o enredo se desenrola com muita música, dança e os clichês básicos de todo “bom” filme hollywoodiano. Ali (Aguilera) é uma pobre moça do interior do EUA, sem nenhuma perspectiva de futuro, que vai para Los Angeles realizar o sonho de ser cantora (clichê nº.1). Lá, conhece o bar Burlesque e impressiona a dona Tess (Cher) com sua bela voz e o bartender Jack (Cam Gigandet) com sua beleza (clichê nº. 2), roubando de Nikki (Kristen Bell), a arrogante dançarina principal, o posto de estrela do espetáculo e o namorado, o milionário Marcus (Eric Dane e clichê nº. 3).

Recomendado para fãs de musicais românticos (será que existe esse termo?), o filme prima pela trilha sonora, bonitos cenários, belos figurinos e fotografia, mas peca pela obviedade extrema do roteiro (que é "mais do mesmo"). Entretanto, como bônus, apresenta Christina Aguilera interpretando de forma convincente sua personagem.

É importante frisar que esse é o típico filme para se assistir com as amigas, sem namorados/maridos/noivos/roloqualquer por perto, comendo doces e outras gostosuras. Portanto, escolha um dia em que o querido estará entretido assistindo futebol, deixe-o grudado no sofá em frente à televisão e chame as amigas para ir ao cinema ou, se preferir esperar o filme sair em DVD (ou simplesmente baixá-lo no computador), fazer uma girls night e assisti-lo em casa.

P.S.: Abaixo tem o clipe de Welcome to Burlesque, a música mais legal do filme (na minha humilde opinião).


sábado, 25 de dezembro de 2010

Aaaaaah, o Natal


Lembro quando eu era criança e a expectativa com o Natal começava junto com o mês de dezembro. Meus pais costumavam comprar um pinheiro de verdade (não como aqueles dos filmes americanos, mas a versão tupiniquim dele), eu ajudava minha mãe a decorar a árvore e montar o presépio só para poder brincar com os enfeites durante o processo, meu pai pendurava as luzinhas do lado de fora da casa, as casas da rua eram enfeitadas e a cada semana, eu pensava num presente diferente até escrever a cartinha pro Papai Noel pedindo alguma coisa da Barbie.

A ceia acontecia na minha casa e durante o dia todo, meus tios entravam e saiam trazendo sobremesas, bebidas ou ajudando minha mãe a preparar o recheio do peru. Enquanto isso, meus primos e eu corríamos de um lado para o outro, jogando taco, brincando de esconde-esconde ou íamos jogar vídeo-game.

Durante a noite, por algum tempo, eu e a as outras crianças da família parecíamos “seres civilizados” de banho tomado e com nossas roupas novas. Meia hora depois, a ilusão terminava, pois nossos rostos estavam suados, as roupas desalinhadas e nós estávamos correndo pela rua com o resto das crianças da vizinhança. Pelo menos até a hora do amigo secreto.

Depois vinha ceia e então, bem alimentados e cansados, aproveitavamos que os adultos estavam conversando e íamos assistir os especiais de Natal. Não demorava muito e cerca de sete crianças estavam profundamente adormecidas ou no sofá ou no chão da sala ou em ambos.

Na manhã do dia 25, a primeira pergunta que me passava na cabeça era “Será que o Papai Noel trouxe o que eu pedi?!”, saia correndo do meu quarto para a sala e abria o presente me sentido a criança mais feliz do mundo. Enquanto assistia os desenhos especiais de Natal, ficava brincando com presente até meus primos aparecerem ou minha mãe me chamar para almoçar, o que acontecesse primeiro.

Assim, o Natal se tornou meu feriado preferido e até hoje tenho dificuldade em entender porque algumas pessoas não gostam da data ou porque se referem a ela como um rito entediante a ser cumprido anualmente e não um momento de alegria no qual as famílias grandes (como é o caso da minha) ou pequenas se reúnem e demonstram que, apesar de todas as diferenças, sempre estarão unidas.

Aqui em casa, a família cresceu ao longo dos anos e a sede da ceia precisou ser alterada: ao invés da minha casa, agora é na casa da minha tia. Eu e as outras seis crianças do passado passamos a integrar o grupo dos que ficam conversando e ganhamos substitutos a altura.

Mas uma coisa me entristece: ver que as pessoas não decoram mais as casas e apesar dos especiais de Natal permanecerem, parece eu o “espírito natalino” foi substituído pelo “espírito do consumismo sem fim”, a festa toda parece se resumir a presentes e as cores diminuíram.

Mesmo assim, o Natal continua sendo meu feriado preferido, porque em uma família, numa cidade da serra gaúcha, algumas crianças cresceram, outras nasceram e alguns rostos envelheceram, mas nem tudo mudou e a data que representa o que ser humano tem de melhor, o ato de dar e receber e a felicidade por se estar lado a lado com se ama ainda é comemorada.

Feliz Natal a todos.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

“Não me lembro da cidade ser hostil assim antes de eu partir. Agora que voltei, ela parece fria e cinza como uma manhã de inverno no sul. Será que sempre foi assim ou terei mudado nesse breve período? De qualquer forma, sozinha aqui tudo parece maior e eu me sinto menor, me perguntando se algum dia voltarei a te ver fora dos meus sonhos, das minhas lembranças, criados pela sensação de estar ao teu lado, nos teus baços.

Parti de uma país distante em busca de um sonho a ser realizado nessa metrópole e nesse percurso, querendo conhecer novas pessoas e novos lugares, me desviei do caminho por um instante, tempo que foi suficiente para te encontrar e agora me pergunto: Nova York deixou te brilhar ou teu amor apagou o glamour inerente à cidade?”

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Conto de Fadas - A Princesa na Torre 2

Semanas após a partida do seu Príncipe, a infeliz Princesa ainda chorava injuriada, indignada e decepcionada em seu quarto. Cansada de tanto drama, a Bruxa arrombou a porta e deu um basta no sofrimento da Princesa:

- Parou a palhaçada! Hoje tu vai sair comigo e conhecer uns guerreiros vikings que estão tocando o terror na galera do povoado. Não agüento mais te ouvir chorar.
- Não! Meu príncipe se foi e só o que me resta são as lágrimas! – chorou a princesa.
- E as rugas que elas te trarão e nenhum tônico, feitiço ou poção que eu fizer irão resolver não te preocupam não???? – disse a Bruxa, com um sorriso maldoso.
- Que hora saímos? – perguntou a Princesa, secando o rosto.

Naquela noite, após as habilidades como maquiadora e cabeleireira da Bruxa e uma ligação emergencial para a sapataria e ateliê de costura da Fada Madrinha devolverem a beleza (e darem um corte mais moderno ao cabelo) da princesa, elas foram a taberna na qual os vikings comemoravam sua vitória.

- Aí, Bruxa!!! Como você ta? Quem é tua amiga???
- Tô bem. Essa é a Princesa, minha refém. – respondeu ela olhando para os vikings – fiquem de olho nela enquanto vou pegar cerveja.
- Senta aqui com a gente Princesa, tens minha palavra que não iremos machucá-la – disse o Lorde Viking chefe daquele exército.

A Princesa, sem outra alternativa, aceitou o convite e ao conversar com aquele povo estranho voltou a sorrir, pela primeira vez em semanas e contrariando todos os ensinamentos dos contos de fadas, tornou-se amiga deles.

Noites depois, na mesma taberna, o Lorde Viking perguntou a princesa algo que o deixara intrigado quando se conheceram:

- Princesa, por que você estava triste quando a conhecemos?
- Meu Príncipe me trocou por uma busca mística – disse ela, com seu belo sorriso se apagando.
- Que cara imbecil – indignou-se o Lorde Viking.
- Por quê? – perguntou a Princesa curiosa.
- Para largar uma Princesa simpática, engraçada, inteligente e linda como você para ir atrás de algo que talvez nem exista o cara tem que ser muito burro. Fosse eu no lugar dele, já teria arrombado a torre, decapitado a bruxa e assado o Dragão para servir no banquete em que comemoraríamos tua liberdade.

O clima romântico entre o viking e a Princesa era perceptível desde que começaram a conversar, mas mesmo assim, a Princesa ficou encabulada e a Bruxa preocupada:

- Decapitar??? Minha cabeça??? Sério mesmo???
- Aham – respondeu o Lorde – Vou pegar mais cerveja enquanto você pensa nisso, Bruxa.
- Ô Princesa, troca uns beijos aí com ele antes que eu perca minha cabeça, literalmente.
- Você acha, Bruxa??? Será que eu tenho chance? Mas o que eu faço? Você é minha única amiga, me diz o que fazer!!!
- Ô anta, não ouviu a direta dele não? Espera... ouvi bem, você me chamou de amiga? – a Princesa confirmou com a cabeça e a Bruxa se emocionou percebendo que também considerava a Princesa – Putz, mas também não faço idéia, esse aí é mei lento, sabe?
- Lento nada, é timidez mesmo. Mas faz assim ó: pega ele de jeito pelo cabelo ou pela barba mesmo e dá um beijo daqueles. O patrão vai adorar – respondeu o capitão, braço direito do Lorde, que ouvira toda a conversa.
- Iiiiiiiih, já era... Quem age assim é Valkíria e essa aí é Princesinha de Torre, esqueceu? – deprimiu-se a Bruxa.
- Valkíria? – perguntou a Princesa
- Princesas-guerreiras nórdicas, as filhas do deus todo poderoso Odin. São mulheres orgulhosas, decididas, corajosas e independentes. – explicou o capitão – Mas é Bruxa, tens razão, Princesas de Torre não servem para Valkírias, são meigas demais.
- Lá se vai meu pescoço...
- Ele ainda vai demorar para fazer algo.
- Mas vai fazer, não vai? – perguntou a Bruxa
- Lá se vai a tua cabeça – respondeu o capitão tomando o último gole da sua cerveja.

A princesa ponderava as palavras do capitão. Estava cansada de chorar, se lamentar e esperar pelo resgate de príncipes que jamais retornavam. Gostava da idéia de fazer as coisas por si mesma, de ser independente. Se tornar uma Valkíria parecia-lhe cada vez mais uma idéia tentadora. Mas e se o capitão estivesse certo e aquele não fosse o destino dela?

O bardo começou a tocar uma canção sobre liberdade, enquanto o Capitão prestava condolências antecipadas à bruxa, que redigia o próprio testamento (a torre e as poções cosméticas vão para a Princesa, a caverna e os carneiros para o Dragão). Foi quando a Princesa tomou uma decisão.

Levantando-se bruscamente (Tá indo aonde? – perguntou a Bruxa), ela caminhou decidida em direção ao Lorde Viking que esperava as canecas de cerveja no bar.

Ao perceber a aproximação da Princesa, o Lorde virou-se sorrindo para recebê-la, ela o abraçou e fez como o capitão recomendará: segurou firmemente o cabelo do Lorde enquanto o beijava. Surpreso, só restou a ele retribuir.

Meses depois, esfarrapado, cansado de buscas inúteis, pronto para o compromisso e para a batalha pela mão da Princesa, o Príncipe retornou a torre, encontrando-a trancada, vazia e com apenas um bilhete preso à porta:

“Querido Príncipe,
No último outono, eu e a Bruxa nos tornamos amigas de alguns guerreiros vikings que assolavam a região.
Semana passada, recebemos uma mensagem do Lorde deles, nos convidando para uma temporada de férias no País Nórdico do qual vieram.
Como o trabalho de reconstrução foi super puxado, aceitamos na hora e partimos para lá com o Dragão.
Cansada de esperar teu retorno, amor e resgate, que estavam demorando muito, falei com a Bruxa e como salvei o pescoço dela através de loooooooonga negociação com o Lorde Viking, ela topou me libertar.
É provável que retornemos após o fim do inverno. Quando chegar, te aviso.
Beijo, Princesa”

FIM

*História meramente ficional, qualquer semelhança com pessoas, fatos ou diálogos da vida real, é mera coincidência